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BANIMENTO DE ENSINO GERAL EM MOÇAMBIQUE

 PRECISAMOS BANIR O ENSINO GERAL DE FORMA URGENTE, ESTE JOVEM NA IMAGEM CHAMA-SE WILSON MATIAS, ESTUDANTE NA UNIVERSIDADE HARVARD NOS EUA DISSE ATRAVÉS DO SEU FACEBOOK.

Não sou nada nesta pátria, não sou especialista muito menos PhD mas isso não me impede de dar meu ponto de vista sobre o ensino geral moçambicano(1a classe a 12a classe).

Como Moçambicano eu penso que cada coisa no seu tempo. Por isso afirmo vivamente que o ensino geral foi muito útil por algum tempo, isto é, no período de 1975-2000. De lá para cá esse ensino já não está a sortir efeitos positivos como era de esperar. Actualmente temos um número considerável de graduados do nível médio sem nenhuma ocupação. Simplesmente porque as oportunidades que o país oferece são daquelas que exigem uma formação técnica ou profissional. No período em que implementaram o ensino geral havia falta de profissionais moçambicanos para todas áreas, daí que implementaram a política do ensino geral de modos a habilitar o graduado a ocupar diversas áreas do saber em função da oportunidade.

Neste momento não há necessidade de insistirmos com o ensino geral pois ele já não dá oportunidade a jovens, aliás, este ensino faz atrasar pessoas porque estamos a falar de 12 anos de escolaridade. Nesse período você não aprende sequer a capinar, costurar ou pescar, actividades que lhe ajudariam na sua sobrevivência pois gastou o tempo todo mexendo na caneta e papel. O aluno passou 12 anos copiando apontamentos. Este tipo ensino ultimamente deixa alunos e encarregados de educação decepcionados, porque os dois têm a concepção de que depois da conclusão do nível médio a pessoa tem que começar a trabalhar principalmente no Aparelho do Estado como acontecia nos tempos em que havia falta de quadros para todos sectores. O mais triste é que o aluno leva 12 anos a passar apontamentos que ele próprio não consulta , 12 anos a falar de impérios, números primos, equações, orações subordinadas, Bonjour, Good morning, tabela periódica, células e mais. O aluno só fala dessas coisas mas nunca recebe uma orientação profissional para o seu futuro. Ainda mais depois deste concluir a 12a classe deve procurar por aí 30mil para ingressar num instituto de formação de professores, saúde ou mesmo polícia. Há vezes em que ele leva 3 anos de formação e leva mais 5 anos antes do seu enquadramento, porque hoje em dia tudo requer dinheiro, por isso, este mesmo graduado pode conseguir emprego depois de 5 anos que passaram sentado sem nenhuma ocupação. Quando começa a trabalhar, 5 anos depois, perde a vida porque a esperança média de vida em África deixa a desejar. Resumindo 12 anos na escola, 3 anos a procura de oportunidades, 3 anos de formação no IFP, 3 anos a procura de colocação. Totalizando ficam 21 anos de escolaridade, 27 (entrou na escola com 6 anos) em que essa pessoa deveria aprender algo mais do que isso, a saber que o mesmo mais tarde precisa fazer ensino superior que pode lhe levar 4 a 5 anos. Já viram toda essa trajectória? Até porque fiquei feliz quando ouvi que de forma gradual o governo moçambicano ia implementar a disciplina de TIC's nas escolas. Mas depois disso veio a verdade de que as nossas escolas não estão para ensinar o saber fazer, estamos focados nos apontamentos. Já vi muitos alunos com nota 14 ou 15 na disciplina de TIC's mas não sabem pelo menos ligar o computador, não sei que critério usam para atribuir essas notas.

Eu pessoalmente vejo que o ensino geral faz-nos perder muito tempo mas com pouca aprendizagem. Quantos alunos com nível médio temos que andam por aí a vender crédito por falta de orientação profissional? Não estou a querer dizer que o governo deve dar emprego a todos eles mas precisa criar uma política que mude o próprio sistema para que o aluno leve esses 12 anos com uma aprendizagem focada na orientação profissional, de modos a que o graduado tenha algo que lhe dê pão. Tenho exemplo de alguns jovens que fizeram a 12a classe à anos e por tanto esperar em oportunidades que nunca apareceram, decidiram inscrever-se no instituto industrial. Mas porque foram no instituto se eles são médios e lá tem cursos médios? É simples, eles foram procurar uma orientação profissional (o saber fazer) porque no ensino geral aprendemos simplesmente o saber falar, saber copiar, saber vestir, saber copiar apontamentos de outras turmas, saber ditar o colega e nunca o saber fazer .

O QUE PRECISA PARA REVERTER O CENÁRIO?

De forma gradual precisa mexer no próprio Sistema nacional de Educação e mexer também o currículo do ensino geral. Isto é, o ensino geral como tal deveria terminar na 7a classe. Da 8a classe a 12a classe deve passar para o ensino técnico profissional, isto implica converter as escolas secundárias em escolas técnicas é claro que deve ser de forma gradual e cuidadosa porque esse tipo de ensino requer custos. Neste caso os actuais 5 anos que o aluno leva no ensino secundário a passar apontamentos seria 5 anos a seguir uma determinada área para a sua profissionalização futuramente, isto é, 5 anos a seguir mecânica, construção civil, geologia, electricidade e mais. Por mais que o aluno não consiga emprego, ele já tem o saber fazer (auto-emprego). E dentre os cursos que iam ministrar nessas escolas técnicas tinham que existir pedagogia/ciências de educação, enfermagem, administração pública entre outros. Desde o 1o ate 5o ano de formação técnica, acredito eu que teríamos profissionais bem preparados para responder os desafios do país e da vida. Por exemplo, um jovem que passou 5 anos fazendo electricidade acredito pode vir ser um bom técnico porque esses 5 anos o ajudarão a ganhar muita experiência e eu como vizinho dele se precisar fazer instalação eléctrica da minha residência claro que posso solicitar o mesmo, logo ele já tem algo para seu próprio sustento.

E OS PROFESSORES DO ENSINO GERAL COMO FICARIAM?

Evidentemente que a formação do homem nunca termina e o saber não ocupa lugar, e um bom governo é aquele que investe na formação dos seus quadros. Com essa política era só reciclar (formar ou capacitar) os professores de acordo com a realidade.

Se insistirmos com ensino geral, continuaremos com médios preguiçosos, médios que só esperam serem dados porque não aprenderam nenhuma actividade como retaguarda, continuaremos com médios fácil de serem aliciados para ingressarem a grupos armados porque querem dinheiro. Continuaremos com médios quem sentam e fazem comparação entre o antigo presidente e o actual presidente, entre o Messi e o Ronaldo, entre uma novela Y e novela X, médios que que levarão seu único 20mt apostar no lotto pensar que ganharão algum dinheiro para sua sobrevivência.

Então chega de apontamentos e vamos a uma educação que ajude os jovens (Ensino técnico). Queremos alunos com capacidade para explorar gás em Cabo Delgado, alunos capazes de montar e desmontar pneu dum carro e ganhar dinheiro, alunos com uma orientação profissional bem formada.

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